As Entidades da Umbanda: Guia Completo dos Guias Espirituais
O Que São as Entidades da Umbanda?
Na Umbanda, as entidades são espíritos de seres que já viveram na Terra e que, tendo evoluído espiritualmente, retornam para prestar serviço à humanidade. Diferente das divindades, elas se apresentam em arquétipos reconhecíveis: o ancião sábio, o indígena conhecedor da mata, a criança alegre, o guardião das encruzilhadas. Essas entidades se manifestam por meio da incorporação em médiuns durante as giras (as sessões de trabalho), e o objetivo central dessa manifestação é a caridade: aconselhar, curar, consolar e orientar quem procura ajuda.
É fundamental não confundir entidades com orixás. Os orixás são divindades, forças da natureza e princípios cósmicos herdados da tradição iorubá. Na Umbanda, os orixás em geral não incorporam: eles atuam como regentes, como energias maiores que orientam de longe. Quem incorpora e conversa diretamente com as pessoas são as entidades, que trabalham sob a vibração de determinados orixás. Um caboclo, por exemplo, pode trabalhar na linha de Oxóssi ou de Ogum, mas o caboclo é um espírito que viveu, enquanto o orixá é uma divindade.
As entidades se organizam em linhas e falanges. Uma linha é um grande agrupamento espiritual ligado a uma vibração ou a um tipo de trabalho (a linha dos Pretos-Velhos, a linha dos Caboclos, a linha das Crianças). Dentro de cada linha existem as falanges, que são como subgrupos ou batalhões espirituais, muitas vezes identificados por um nome de chefia. Por isso, nomes como Pai Joaquim, Cabocla Jurema ou Maria Padilha funcionam frequentemente como nomes de linha ou de falange: várias entidades, em terreiros diferentes, podem se apresentar sob o mesmo nome, sem que isso signifique uma única pessoa histórica.
Uma observação sobre nomes e variações
A Umbanda é uma religião viva e descentralizada. Não existe um único livro sagrado nem uma autoridade central que padronize tudo. Por isso, dias, cores, símbolos e até a forma de classificar as entidades podem variar bastante de um terreiro para outro, de uma linha de Umbanda para outra. Ao longo deste guia, sempre que algo costuma mudar entre as casas, isso é sinalizado de forma neutra. O que apresentamos aqui são descrições amplamente difundidas e respeitosas, e não regras fixas válidas para todos os terreiros.
Entidades, Orixás e a Caridade
Conheça as divindades que regem cada linha e aprofunde-se na história das religiões afro-brasileiras
Linha de Direita e Linha de Esquerda
Dentro de muitos terreiros, as entidades costumam ser agrupadas em dois grandes campos de trabalho: a direita e a esquerda. É importante deixar claro desde já que, na Umbanda, esses termos não significam o bem contra o mal. Não há entidade boa e entidade má. Ambos os campos trabalham para o bem e dentro da chamada Lei (o princípio de ordem espiritual que rege a religião). A diferença está no tipo de tarefa e na forma de atuar.
Linha de Direita
Reúne entidades ligadas ao aconselhamento, à cura e ao acolhimento. A forma de trabalho costuma ser mais suave e voltada para a orientação.
- Pretos-Velhos, com sua sabedoria e paciência ancestral
- Caboclos, com a força e o conhecimento das ervas
- Crianças, Boiadeiros, Marinheiros, Baianos e o Povo Cigano
Linha de Esquerda
Reúne os guardiões, entidades que atuam na proteção e na limpeza de energias densas. O termo esquerda não tem sentido negativo: indica o campo de trabalho mais direto e de defesa.
- Exus, guardiões da Lei e das encruzilhadas
- Pombagiras, a força feminina da guarda e da dignidade
- Malandros, com a astúcia e a proteção do povo da rua
Lembre-se da variação entre casas
Nem toda casa usa exatamente essa divisão, e algumas posicionam certas entidades de modo diferente. Boiadeiros, por exemplo, são vistos por algumas casas como entidades de características próprias, que transitam entre os campos. O que importa é compreender o princípio: tudo se organiza em torno do trabalho de caridade e da ordem espiritual, e não de uma oposição entre bem e mal.
As Principais Entidades, Uma a Uma
Linha das Almas / ancestralidade africana
Os Pretos-Velhos representam os espíritos de anciãos negros que viveram o período da escravidão no Brasil. São o símbolo maior da sabedoria que vem do sofrimento transformado em compaixão. Não trazem revolta, e sim serenidade, humildade e a experiência de quem atravessou a vida com fé. Na Umbanda, são entre as entidades mais procuradas para aconselhamento, justamente porque acolhem sem julgar. Vale dizer que nomes como Pai Joaquim ou Vovó Maria Conga funcionam como nomes de linha ou arquétipos: muitos médiuns e terreiros diferentes trabalham com entidades que se apresentam sob esses nomes, e não como uma única pessoa histórica identificada.
Linha dos Caboclos / ancestralidade indígena
Os Caboclos são espíritos ligados aos povos originários do Brasil e, em algumas leituras, também a antigos brasileiros do interior. Representam a força, a coragem e o conhecimento profundo da natureza, especialmente das ervas e dos elementos da mata. Trabalham com a energia de Oxóssi e de Ogum em boa parte das casas. São conhecidos pela retidão e pela objetividade: o caboclo costuma ir direto ao ponto. Sua presença na Umbanda reverencia a contribuição indígena à formação espiritual brasileira, ao lado das raízes africanas e europeias.
Linha das Crianças
As Crianças, também chamadas de Erês ou associadas aos Ibejis, são entidades que se apresentam com a energia da infância: pureza, alegria e inocência. É comum surgir alguma confusão de termos, e ela é compreensível, porque erê, ibeji e a linha das Crianças têm origens diferentes (parte vem da tradição iorubá dos orixás gêmeos, parte da elaboração própria da Umbanda). Apesar do ar de brincadeira, fazem um trabalho espiritual sério: a leveza delas tem a força de dissolver tristezas e de renovar a fé de quem está cansado. O dia 27 de setembro, ligado a Cosme e Damião, é uma das datas mais queridas, quando muitas casas distribuem doces.
Linha de Esquerda / guardiões
Aqui é preciso muito cuidado para separar três coisas distintas. O Exu-orixá da tradição iorubá é uma divindade da comunicação e do movimento, o mensageiro entre os mundos. O Exu-entidade da Umbanda é outra categoria: são espíritos que já viveram na Terra, conhecem as fraquezas humanas e por isso atuam como guardiões, trabalhando na limpeza de energias pesadas e na proteção dos terreiros e das pessoas. E há ainda a associação colonial e cristã que confundiu Exu com o diabo: essa associação é um equívoco histórico, fruto do preconceito contra as religiões afro-brasileiras, e não corresponde ao que essas tradições ensinam. O Exu da Umbanda atua dentro da Lei, faz a guarda e cobra disciplina de quem trabalha com ele.
Linha de Esquerda / guardiãs femininas
As Pombagiras são as guardiãs femininas, contraparte dos Exus dentro da linha de esquerda. São entre as entidades mais estereotipadas e mal compreendidas da Umbanda, frequentemente reduzidas a clichês de sensualidade. Na vivência dos terreiros, porém, a Pombagira é muito mais: representa a força feminina, a autonomia, a capacidade de impor limites e de recuperar a própria dignidade. Muitas pessoas a procuram para curar a autoestima, sair de relações abusivas ou reencontrar o respeito por si mesmas. Tratar a Pombagira apenas como entidade do amor carnal é empobrecer o sentido profundo de empoderamento que ela carrega para quem trabalha com fé e respeito.
Povo da lida / sertão
Os Boiadeiros são espíritos ligados à vida do sertão e à lida com o gado. Trazem a energia de quem trabalha duro no campo, enfrenta o sol e conduz a boiada por caminhos difíceis. Por isso, são conhecidos por ajudar a tocar a vida para a frente quando ela parece travada, conduzindo a pessoa com firmeza e simplicidade, do mesmo modo que conduzem o rebanho. A figura do boiadeiro celebra o trabalhador rural brasileiro, a cultura do interior e a força tranquila de quem sabe que cada jornada se vence passo a passo.
Povo do Mar
Os Marinheiros são espíritos ligados ao mar, aos rios e à vida dos que navegam. Sua marca registrada é o bom humor e a alegria contagiante: chegam gingando, brincam e trazem leveza. Mas o trabalho deles tem profundidade. Por estarem ligados ao movimento das águas, são chamados para colocar a vida em movimento de novo, dissolver tristezas e ajudar quem se sente preso a uma situação. O balanço característico dessas entidades simboliza a capacidade de se adaptar às ondas da vida sem afundar.
Povo da Bahia / Nordeste
Os Baianos são entidades ligadas à força e à cultura do Nordeste brasileiro, em especial da Bahia. Trazem a energia do povo trabalhador e resiliente do sertão e do litoral nordestino. São conhecidos pela franqueza: falam o que precisa ser dito, sem rodeios, sempre com bom humor. Costumam ser procurados para questões práticas e materiais, trabalho e prosperidade, e para dar aquele empurrão de coragem em quem precisa resolver a vida. Representam a fé simples e tenaz do brasileiro do Nordeste.
Povo Cigano
O Povo Cigano reúne entidades que incorporam a cultura e o imaginário cigano, com sua música, sua dança e seu amor pela liberdade. Trabalham principalmente com prosperidade, sorte e abertura de caminhos, e trazem uma energia festiva e colorida para a gira. É importante lembrar que, na vida real, ciganos formam povos com história, língua e cultura próprias, e merecem respeito como qualquer grupo humano. Na Umbanda, a linha cigana é uma homenagem espiritual a esse imaginário de liberdade, alegria e prosperidade, e costuma variar bastante de uma casa para outra.
Povo da Rua / malandragem
Os Malandros são entidades ligadas à vida urbana, à boemia e à esperteza das ruas, com Zé Pelintra como figura central dessa linha. Zé Pelintra é uma entidade complexa e muito cultuada, transitando entre a Umbanda, o Catimbó e a Jurema, ora visto como malandro, ora com traços de mestre. Os Malandros ensinam o jogo de cintura para atravessar situações difíceis sem perder a dignidade, oferecem proteção a quem vive nas ruas e trazem astúcia para resolver conflitos. Por trás da imagem boêmia, há um ensinamento sobre sobreviver com inteligência e sobre não julgar quem a sociedade marginaliza.
As entidades da direita trabalham com aconselhamento, cura e acolhimento. São as primeiras com quem a maioria das pessoas tem contato ao visitar um terreiro de Umbanda, geralmente buscando orientação e consolo.
Linha das Almas / ancestralidade africana
Os Pretos-Velhos representam os espíritos de anciãos negros que viveram o período da escravidão no Brasil. São o símbolo maior da sabedoria que vem do sofrimento transformado em compaixão. Não trazem revolta, e sim serenidade, humildade e a experiência de quem atravessou a vida com fé. Na Umbanda, são entre as entidades mais procuradas para aconselhamento, justamente porque acolhem sem julgar. Vale dizer que nomes como Pai Joaquim ou Vovó Maria Conga funcionam como nomes de linha ou arquétipos: muitos médiuns e terreiros diferentes trabalham com entidades que se apresentam sob esses nomes, e não como uma única pessoa histórica identificada.
Linha dos Caboclos / ancestralidade indígena
Os Caboclos são espíritos ligados aos povos originários do Brasil e, em algumas leituras, também a antigos brasileiros do interior. Representam a força, a coragem e o conhecimento profundo da natureza, especialmente das ervas e dos elementos da mata. Trabalham com a energia de Oxóssi e de Ogum em boa parte das casas. São conhecidos pela retidão e pela objetividade: o caboclo costuma ir direto ao ponto. Sua presença na Umbanda reverencia a contribuição indígena à formação espiritual brasileira, ao lado das raízes africanas e europeias.
Linha das Crianças
As Crianças, também chamadas de Erês ou associadas aos Ibejis, são entidades que se apresentam com a energia da infância: pureza, alegria e inocência. É comum surgir alguma confusão de termos, e ela é compreensível, porque erê, ibeji e a linha das Crianças têm origens diferentes (parte vem da tradição iorubá dos orixás gêmeos, parte da elaboração própria da Umbanda). Apesar do ar de brincadeira, fazem um trabalho espiritual sério: a leveza delas tem a força de dissolver tristezas e de renovar a fé de quem está cansado. O dia 27 de setembro, ligado a Cosme e Damião, é uma das datas mais queridas, quando muitas casas distribuem doces.
Povo da lida / sertão
Os Boiadeiros são espíritos ligados à vida do sertão e à lida com o gado. Trazem a energia de quem trabalha duro no campo, enfrenta o sol e conduz a boiada por caminhos difíceis. Por isso, são conhecidos por ajudar a tocar a vida para a frente quando ela parece travada, conduzindo a pessoa com firmeza e simplicidade, do mesmo modo que conduzem o rebanho. A figura do boiadeiro celebra o trabalhador rural brasileiro, a cultura do interior e a força tranquila de quem sabe que cada jornada se vence passo a passo.
Povo do Mar
Os Marinheiros são espíritos ligados ao mar, aos rios e à vida dos que navegam. Sua marca registrada é o bom humor e a alegria contagiante: chegam gingando, brincam e trazem leveza. Mas o trabalho deles tem profundidade. Por estarem ligados ao movimento das águas, são chamados para colocar a vida em movimento de novo, dissolver tristezas e ajudar quem se sente preso a uma situação. O balanço característico dessas entidades simboliza a capacidade de se adaptar às ondas da vida sem afundar.
Povo da Bahia / Nordeste
Os Baianos são entidades ligadas à força e à cultura do Nordeste brasileiro, em especial da Bahia. Trazem a energia do povo trabalhador e resiliente do sertão e do litoral nordestino. São conhecidos pela franqueza: falam o que precisa ser dito, sem rodeios, sempre com bom humor. Costumam ser procurados para questões práticas e materiais, trabalho e prosperidade, e para dar aquele empurrão de coragem em quem precisa resolver a vida. Representam a fé simples e tenaz do brasileiro do Nordeste.
Povo Cigano
O Povo Cigano reúne entidades que incorporam a cultura e o imaginário cigano, com sua música, sua dança e seu amor pela liberdade. Trabalham principalmente com prosperidade, sorte e abertura de caminhos, e trazem uma energia festiva e colorida para a gira. É importante lembrar que, na vida real, ciganos formam povos com história, língua e cultura próprias, e merecem respeito como qualquer grupo humano. Na Umbanda, a linha cigana é uma homenagem espiritual a esse imaginário de liberdade, alegria e prosperidade, e costuma variar bastante de uma casa para outra.
As entidades da esquerda são os guardiões. Atuam na proteção e na limpeza de energias pesadas, sempre dentro da Lei. Apesar dos estereótipos que cercam Exus e Pombagiras, seu trabalho é de defesa e de orientação firme, jamais de fazer o mal.
Linha de Esquerda / guardiões
Aqui é preciso muito cuidado para separar três coisas distintas. O Exu-orixá da tradição iorubá é uma divindade da comunicação e do movimento, o mensageiro entre os mundos. O Exu-entidade da Umbanda é outra categoria: são espíritos que já viveram na Terra, conhecem as fraquezas humanas e por isso atuam como guardiões, trabalhando na limpeza de energias pesadas e na proteção dos terreiros e das pessoas. E há ainda a associação colonial e cristã que confundiu Exu com o diabo: essa associação é um equívoco histórico, fruto do preconceito contra as religiões afro-brasileiras, e não corresponde ao que essas tradições ensinam. O Exu da Umbanda atua dentro da Lei, faz a guarda e cobra disciplina de quem trabalha com ele.
Linha de Esquerda / guardiãs femininas
As Pombagiras são as guardiãs femininas, contraparte dos Exus dentro da linha de esquerda. São entre as entidades mais estereotipadas e mal compreendidas da Umbanda, frequentemente reduzidas a clichês de sensualidade. Na vivência dos terreiros, porém, a Pombagira é muito mais: representa a força feminina, a autonomia, a capacidade de impor limites e de recuperar a própria dignidade. Muitas pessoas a procuram para curar a autoestima, sair de relações abusivas ou reencontrar o respeito por si mesmas. Tratar a Pombagira apenas como entidade do amor carnal é empobrecer o sentido profundo de empoderamento que ela carrega para quem trabalha com fé e respeito.
Povo da Rua / malandragem
Os Malandros são entidades ligadas à vida urbana, à boemia e à esperteza das ruas, com Zé Pelintra como figura central dessa linha. Zé Pelintra é uma entidade complexa e muito cultuada, transitando entre a Umbanda, o Catimbó e a Jurema, ora visto como malandro, ora com traços de mestre. Os Malandros ensinam o jogo de cintura para atravessar situações difíceis sem perder a dignidade, oferecem proteção a quem vive nas ruas e trazem astúcia para resolver conflitos. Por trás da imagem boêmia, há um ensinamento sobre sobreviver com inteligência e sobre não julgar quem a sociedade marginaliza.
Exu e Pombagira: Desfazendo Mal-Entendidos
Poucas figuras das religiões afro-brasileiras foram tão deturpadas quanto Exu e Pombagira. Por séculos, o preconceito e a desinformação associaram essas entidades ao mal e ao demônio cristão. Essa associação é falsa e precisa ser desfeita com clareza, porque ela está na raiz de boa parte da intolerância religiosa que essas comunidades sofrem até hoje.
Exu-orixá
Na tradição iorubá, Exu é uma divindade da comunicação, do movimento e dos caminhos, o mensageiro entre os seres humanos e os orixás. É o primeiro a ser saudado em muitos rituais, porque sem ele nenhuma mensagem chega ao destino. Nada tem a ver com o diabo cristão.
Exu-entidade da Umbanda
Na Umbanda, o Exu-entidade é um espírito que já viveu na Terra e que hoje atua como guardião. Conhece as dificuldades humanas e por isso trabalha na proteção, na limpeza espiritual e na defesa dos terreiros e das pessoas, sempre dentro da Lei.
A confusão colonial
A associação de Exu com o diabo foi imposta de fora, no contexto colonial, por quem via as imagens de Exu (chifres, tridente, encruzilhada) com olhos cristãos. É um equívoco histórico, não uma verdade dessas religiões.
Com a Pombagira acontece algo parecido, somado ao machismo. Reduzida a um clichê de sedução e perigo, ela é, na verdade, uma entidade de proteção feminina, de autoestima e de dignidade. Muitas mulheres a procuram para recuperar a força diante de relações abusivas e para reaprender a se respeitar. Tratar Exu e Pombagira com respeito é, antes de tudo, um ato de combate ao preconceito.
As Sete Linhas da Umbanda
Um dos conceitos mais conhecidos da Umbanda é o das sete linhas. A ideia é que o trabalho espiritual se organiza em sete grandes vibrações, cada uma ligada a um orixá regente e a determinados tipos de entidade. Aqui é preciso muita honestidade: não existe uma única lista das sete linhas. Diferentes autores e diferentes codificações organizaram essas linhas de formas distintas ao longo do século XX, e os nomes mudam de uma corrente para outra. O que se mantém é o número simbólico sete e a noção de que cada linha governa uma área da existência.
Um exemplo de organização, entre vários possíveis
Uma das formas tradicionais de apresentar as sete linhas as associa a orixás regentes. Esta é uma síntese de modelos clássicos e serve apenas como ilustração: cada terreiro pode adotar nomes e correspondências diferentes.
Repare que a sétima linha já aparece de duas formas, justamente para mostrar como as listas divergem. Em algumas correntes fala-se na linha do Oriente, em outras na linha africana ou na linha de Iansã. Por isso, ao estudar a Umbanda, o mais útil é compreender o princípio das vibrações organizadas, e não decorar uma lista como se fosse a única correta. Para conhecer cada orixá regente em profundidade, vale visitar o nosso guia dos orixás.
O Princípio da Caridade
Se há um conceito que está no coração da Umbanda, é o da caridade. A máxima de que não há evolução espiritual sem caridade, herdada em boa parte do espiritismo kardecista que ajudou a formar a religião, resume o sentido do trabalho das entidades. Elas não incorporam para impressionar nem para fazer espetáculo: incorporam para servir. O atendimento em uma gira é gratuito na imensa maioria das casas sérias, justamente porque a caridade é entendida como dádiva, e não como mercadoria.
Caridade para quem recebe
- • Orientação para problemas concretos da vida, do trabalho à saúde emocional
- • Acolhimento de quem está em sofrimento, sem julgamento
- • Passes e limpezas espirituais para aliviar cargas pesadas
- • Apoio comunitário, que em muitos terreiros inclui ações sociais
Caridade para quem trabalha
- • Para o médium, ceder o corpo às entidades é também um exercício de doação
- • A própria entidade, ao auxiliar, prossegue em sua evolução espiritual
- • O trabalho fortalece os laços de comunidade dentro do terreiro
- • A disciplina e a humildade são vistas como parte do aprendizado
Vale um alerta prático e respeitoso: se em algum lugar cobram valores altos para realizar trabalhos, prometem resultados garantidos ou usam o nome das entidades para amedrontar e extorquir, isso vai contra o princípio da caridade. A espiritualidade séria orienta e acolhe, e não explora a fé ou o medo de ninguém.
Conteúdo Educativo e Respeito às Tradições
Este guia tem caráter educativo e cultural. Seu objetivo é apresentar, com respeito e precisão, quem são as entidades da Umbanda e como elas são compreendidas dentro dessa tradição religiosa viva. Nenhuma página, por mais cuidadosa que seja, substitui a vivência em um terreiro nem a orientação de um sacerdote.
Para orientação espiritual de verdade
Se você deseja receber orientação espiritual genuína, conhecer seu orixá ou conversar com uma entidade, o caminho é procurar um terreiro de Umbanda real, conduzido por um pai ou mãe de santo de confiança. É no convívio respeitoso com a comunidade, e não em um texto na internet, que a religião se revela em sua plenitude. Vá com humildade, ouça mais do que fale e trate o espaço com a mesma seriedade que dedicaria a qualquer outra casa religiosa.
Lembre-se também do contexto histórico: a Umbanda e as demais religiões de matriz africana foram perseguidas e criminalizadas no Brasil durante boa parte do século XX, e ainda enfrentam intolerância. Conhecer essas tradições com respeito é uma forma de combater o preconceito e de reconhecer a riqueza cultural e espiritual que elas representam para o país. Para entender melhor essa trajetória, veja a nossa página de história das religiões afro-brasileiras e, para esclarecer termos que aparecem ao longo dos textos, consulte o glossário.
Continue Explorando
As entidades da Umbanda formam um universo espiritual vasto, diverso e profundamente humano. Cada Preto-Velho, Caboclo, Criança ou Guardião carrega uma lição sobre acolhimento, força e caridade. Para aprofundar seu conhecimento, conheça os orixás que regem cada linha, mergulhe na história das religiões afro-brasileiras ou esclareça os termos no glossário.