Cultura e tradições
Cosme e Damião, Ibejis e Erês: diferenças e datas
Entenda a diferença entre Cosme e Damião, Ibejis e Erês, as datas de 26 e 27 de setembro e os sentidos dos doces e do caruru nas tradições brasileiras.
Por Macumba Online · Atualizado em · Leitura de 5 minutos
Cosme e Damião, Ibejis e Erês têm relações nas festas brasileiras, mas os nomes não são sinônimos em todos os contextos. Os primeiros são santos católicos; Ibejis designa as divindades gêmeas em tradições de matriz iorubá; erê tem sentidos ligados à infância e à vida ritual, que precisam ser situados em cada casa. Essa distinção aparece, por exemplo, na pesquisa da UFSB sobre a religiosidade de Cachoeira. Veja o estudo de Jó Rodrigues Cezar Junior, especialmente a página 32.
Quem são Cosme e Damião, Ibejis e Erês?
Cosme e Damião na tradição católica
Na narrativa apresentada pelo Vaticano, Cosme e Damião são irmãos gêmeos cristãos que cuidavam dos enfermos sem receber pagamento e sofreram martírio no período das perseguições romanas. Trata-se da tradição religiosa sobre os santos, não de uma biografia que permita confirmar todos os episódios como documentação histórica. A própria apresentação remete à Lenda Áurea ao contar os relatos de seu suplício. Leia a apresentação do Vatican News.
Ibejis e a distinção em relação aos erês
A pesquisa sobre Cachoeira descreve os Ibejis como divindades gêmeas infantis e registra sua associação com os santos. No mesmo trecho, identifica o erê como intermediário entre a pessoa iniciada no candomblé e seu orixá. É uma diferença importante: a proximidade com a infância não torna automaticamente iguais a divindade e essa presença ritual. A dissertação da UFSB apresenta essa distinção no contexto da Roça do Ventura.
Na Umbanda, o nome erê também é utilizado para entidades infantis, chamadas de Crianças em algumas casas. O Santuário Nacional da Umbanda registra essa forma de nomear as manifestações de espíritos infantis. Comparar esse uso com o descrito no estudo de Cachoeira ajuda a entender por que uma definição única pode apagar diferenças religiosas. Leia a explicação do Santuário.
Ao encontrar a palavra “erê” em um convite, texto ou conversa, procure saber qual comunidade está falando e como ela explica o termo. Evite concluir que toda casa utiliza a palavra do mesmo modo. Uma boa pergunta é: “Qual é o sentido dessa celebração para vocês?”. A resposta da comunidade ajuda a compreender a experiência sem encaixá-la à força numa definição de internet.
| Nome | Contexto da referência |
|---|---|
| Cosme e Damião | Santos gêmeos da tradição católica. |
| Ibejis | Divindades gêmeas associadas à infância. |
| Erês | Pode designar entidades infantis na Umbanda; seu sentido ritual depende da tradição da casa. |
A tabela é uma orientação de leitura, não uma regra para corrigir a fala dos praticantes. Para ampliar o vocabulário, consulte também nossos guias de orixás e entidades.
A celebração é em 26 ou 27 de setembro?
As duas datas aparecem, em contextos diferentes. O calendário litúrgico apresentado pelo Vaticano celebra Cosme e Damião em 26 de setembro. Essa é a referência para quem procura a data da memória católica. Confira o calendário no Vatican News.
Já 27 de setembro é uma referência para festas populares e de terreiro. Um exemplo documentado é a Festa do Erê de Mussuca, em Laranjeiras, Sergipe. Em entrevista ao Iphan, realizada em 2010, a liderança Dona Regina identifica o dia 27 como a data de Cosme e Damião e explica que sua comunidade podia transferir os festejos para os dias próximos, conforme a semana. Veja o registro do Iphan, página 2.
Para visitar uma festa em 2026, confirme a programação diretamente com a organização. A data tradicional não informa sozinha o horário, o endereço, se haverá atividade pública ou quais momentos são reservados à comunidade. Um cartaz de outro ano também não confirma a agenda deste setembro.
O que significam os doces e o caruru?
A comida pode reunir devoção, convivência e transmissão de memória. No registro de Mussuca, Dona Regina descreve o preparo coletivo do caruru, os cantos e a distribuição de alimentos, pipoca e doces. Crianças e outras pessoas da comunidade participam. Esse relato mostra uma festa com preparação, vínculos familiares e sequência própria; não apenas uma entrega de saquinhos. O inventário do Iphan documenta essa experiência, nas páginas 3–6.
Na Bahia, a Fundação Cultural do Estado destaca o caruru de sete meninos como parte desse legado afro-brasileiro. Ao apresentar o espetáculo Doú Alabá, a instituição reúne falas de artistas sobre infância, ancestralidade e a memória dos erês. A publicação também registra a relação dos festejos com Cosme e Damião. Conheça o contexto cultural apresentado pela Funceb.
Lendo esses exemplos em conjunto, podemos perceber que uma comida compartilhada também pode guardar histórias de pessoas e lugares. Essa é uma interpretação dos registros, não a afirmação de que todas as festas têm o mesmo fundamento. Não existe, neste guia, uma receita ou quantidade de doces capaz de representar todas as tradições.
Como conhecer uma celebração com respeito
Comece pelas informações que a própria comunidade torna públicas. Se for uma atividade aberta, siga as orientações de quem recebe os visitantes. Peça autorização antes de fotografar pessoas, especialmente crianças, ou registrar momentos religiosos. Ao compartilhar uma experiência, identifique o lugar e a ocasião, sem apresentá-los como retrato de toda a Umbanda ou de todo o Candomblé.
Para trabalhos escolares, separe a explicação católica, o registro de uma festa específica e a interpretação acadêmica. As fontes abaixo permitem comparar essas perspectivas. O Macumba Online oferece leitura introdutória e entretenimento; conhecer uma tradição religiosa envolve escutar também as pessoas que a mantêm viva.
Fontes e leituras
As fontes descrevem contextos e tradições específicos. Diferenças entre casas e comunidades fazem parte deste tema.
- Vatican News — Santos Cosme e Damião e a data litúrgica
- Iphan — Registro da Festa do Erê em Mussuca, Laranjeiras (2010, PDF)
- Jó Rodrigues Cezar Junior / UFSB — Rizomas afro-baianos (2024, PDF, p. 32 e 74–79)
- Funceb — Doú Alabá, memória dos erês e do caruru (2021)
- Santuário Nacional da Umbanda — Cosme e Damião e as entidades infantis
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